SEXTA-FEIRA 13 FAZENDO JUS A FAMA
Me demitiram. O motivo? "Reestruturação". Uma resposta vaga, um motivo que eles não querem dizer para não se espalhar. Ou talvez seja isso mesmo, já que a famosa "rádio peão" sobre uma punição seria bom para os demais atendentes "andarem na linha", com o perdão do trocadilho. E pelo que estou sabendo, só eu fui demitida.
Eu me indignei? Acho que não. Fiquei calada, perguntei só o motivo de novo. Acho que tem gente que reagiria pior. Não iriam voltar atrás, então agi resignadamente, revolta apenas por não saber onde eu errei de verdade, por não ter recebido um feedback negativo que me desse uma chance de consertar seja lá o que fosse.
Eu pensei em um pequeno leque de motivos que talvez não quisessem me revelar: nível de escolaridade (pós-graduação em andamento), questionadora demais (quanto aos procedimentos, às oportunidades), disse algo que não agradou, fiquei usando o celular e acessando páginas na internet, expliquei algo em linha que não deveria, não iam com a minha cara... e o blog. O blog, que eu ingenuamente relato minha visão sobre o trabalho com muita sinceridade, com a liberdade que eu acreditava ter de me expressar dentro dos limites do ético. E que inclusive resultou em denúncias, como o post sobre "derrubar ligações", coisa que eu nunca fiz. E se eu escrevo sobre tudo isso, e quem lê deve ter percebido, é porque eu busco o que é correto. Este blog não é para mostrar os podres da profissão, da empresa, e nem para incentivar a forma errada de se comportar no trabalho.
E mesmo qualquer um dos outros motivos que eu pensei, não são bons o bastante. Eu não estava procurando emprego para sair da Bosch, isso talvez fosse um plano futuro. Como eu disse em um post, eu pensava em ficar no mínimo 6 meses. O máximo de tempo não tinha um limite! Quanto a ser questionadora demais, eu queria garantia de estar fazendo o certo, de acordo com a expectativa da empresa, e não o que estava na minha cabeça. Não era porque eu não sabia o que estava fazendo! E se eu disse algo que não agradou, eu não sei, isso é muito relativo, varia da interpretação de cada pessoa. O que minha consciência está limpa em afirmar é que nunca tentei fazer a cabeça de ninguém com as minhas opiniões, provocar um motim, ou algo do gênero. Pelo contrário, sempre fui muito intrometida para ajudar quanto aos procedimentos, garantir que minhas colegas fizessem o certo conforme tinham me explicado! O uso de celular e internet nunca foi dito ser proibido, e eu não era a única pessoa que fazia uso. Se expliquei algo em linha que não devia em 2 meses de empresa, bastava dar um feedback, né? Eu sempre consultei o que podia ser dito, mas é verdade que eu tentava ajudar mais do que podia os corretores, para dar satisfação. Só que até então os 3 feedbacks que eu recebi eram ÓTIMOS: 83%, 99,4% e 94%.
No final das contas, não irem com a minha cara é um motivo plausível. Afinal, por que eu? E sem me chamarem para conversar antes de tomar uma decisão, é porque não era para eu ter chance mesmo.
Eu não chegava atrasada, não estourava o total de 40 minutos de pausa (às vezes até fazendo menos) - um adendo aqui é que nos últimos dias eu tirava a última pausa 10 nos 10 minutos antes do fim do expediente, para evitar o risco de cair ligação e ficar depois das 14h. Mas nem sempre dava certo, porque acabava caindo uma ligação antes das 13h50 e que durava 15 minutos, ou seja, eu não fazia a última pausa algumas vezes, utilizava trabalhando. E além disso eu moro perto do local de trabalho, gastava só 6 reais por dia de condução (ida e volta).
Eu tinha escrito sobre a previsão de sair da Bosch no fim do ano (e é um post que se você escrever "Bosch + Chubb" no Google você acha facilmente, o que me deixou um pouco arrependida pela exposição) e esqueci de enfatizar que talvez eu voltasse para a minha cidade natal ou me mudasse para outra cidade, ou seja, motivos até maiores do que procurar algo na minha área ou ganhar mais, porque depende da minha vida conjunta com meu namorado, que está prestando concursos. Eu não tenho filhos, o que diminui a chance de eu procurar outro emprego por causa do salário.
Respondi um questionário de desligamento, e no fim das contas eu tive que admitir, sem usar o fato de eu estar chateada como influência, que a minha imagem da Bosch, assim como a da Chubb, é boa. Eu tinha pouco do que reclamar, talvez de falta de ajuda às vezes, mas nada muito crítico. Ah, e também fui crítica quanto a monitoria, pois nota justa é aquela que a gente recebe podendo ouvir para saber onde estavam os erros apontados. SEMPRE deveríamos ouvir a gravação que foi monitorada. Pelo menos eu consegui rever a nota de uma monitoria e ganhar o caderno, agora de recordação, da Chubb
No fim das contas, eu acho que a Chubb / Bosch fez um péssimo negócio me demitindo. Pode parecer um pouco falta de humildade e reforçar a razão de ser qualificado demais para o cargo, mas acho que poderiam ter me aproveitado em outro lugar. Se queriam diminuir o quadro de corretores (o que eu duvido, porque aparentemente estão contratando mais gente), poderiam perguntar se eu queria ir para o SAC (que acredito que tem menos atendentes que o necessário). Escolheram a mim, sendo que tem gente que faz besteira MESMO no atendimento, chega atrasada, que não é clara ao enviar chamado para as áreas competentes (escrevem MAL), não tem certeza das informações que passa, revela o que não pode em linha, derruba ligação... Enquanto que eu vestia a camisa das empresas, e literalmente queria fazer isso quando programei para o sábado, 21/09, ir até o Clube Bosch em Campinas ver se tinha uniforme da Bosch para passar a usar no trabalho (e evitar escolher roupa todo dia).
Bom, escrevo isso como um fim de ciclo. Estou que nem vistoria quando o veículo está ausente: FRUSTRADA (já consigo fazer piada?). Não estou aliviada e sinto um pouco incompetente, refletindo sobre a imagem que passei, e fica até difícil procurar um novo emprego assim. Mas acho que enfim irei para a área de turismo, o que me dá esperança de que coisas melhores virão!
Obs.: Em pensar que eu neguei viagens internacionais com meus pais para não sair da Chubb, fiz menos repouso do que me recomendaram quando tive o problema no pé, ou seja, me dediquei a quem não me dava valor. Quem diria que a Philips tinha uma imagem melhor de mim. Fico imaginando a reunião em que decidiram meu futuro, e que eu vi acontecer esses dias, com aquelas pessoas que são superiores aos atendentes e confortáveis em seus cargos, que só querem interagir entre elas e não ligam para quem está abaixo na hierarquia... Só me custa um pouco acreditar que meu supervisor que eu queria tão bem compactuou com isso. Acho que se meu futuro estiver traçado para ser uma líder, eu serei muito mais justa, e observarei melhor o que está ao meu redor.
Um P.S. aqui é o meu agradecimento ao meu supervisor, à representante da Chubb que me deu treinamento e ao rapaz do RH, pessoas que quiseram me contratar porque viram potencial em mim. Se alguém não ia com a minha cara, acredito não ter sido nenhum de vocês. Espero não ter decepcionado.
Moral da história: melhor não falar mais o que eu penso. Não comentarei mais aqui sobre o trabalho, apenas em um quesito mais pessoal agora que começarei uma nova busca, e também estou aberta a tirar dúvidas de quem quiser ingressar na área, que nem sempre é ingrata.
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