terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Como estou prestes a entrar nessa vida

Tudo começou com um forte desejo de trabalhar numa companhia aérea. Tenho oportunidade de viajar bastante e sempre gostei do ambiente e do uniforme. Sou formada em Letras e estava atuando na minha área quando me candidatei pela Catho e 2 dias depois fui chamada para entrevista de uma vaga de Agente de Aeroporto da TAM, processo seletivo conduzido pela consultoria Wapiya. Nunca tinha feito uma entrevista antes, meus empregos como professora foram conseguidos graças a indicação, estágio ou por ser aluna. Então, digamos que eu fui muito mal na entrevista. E isso não faz nem um ano. Falei que eu era perfeccionista (eu sou mesmo, mas dizer isso é tão clichê que pega mal), não soube dizer um defeito, nem um bom motivo para trabalhar na empresa além de "ser apaixonada pela aviação". É bem verdade que eu lia muito sobre o assunto também, sabia quais eram os planos do setor, destinos, procedimentos e mais coisas empíricas, mas eu não consegui expor nada disso com o meu nervosismo. Não me preparei bem, pensei que seria mais fácil. Acredito que eu já não era muito o perfil no momento porque tinha pouca experiência como profissional em geral, sem grandes feitos para citar na redação que precisávamos fazer, enfim. A área é concorrida, eu tinha conseguido uma entrevista muito rápido, coisa que gente leva séculos para conseguir, quem dirá passar em todas as etapas. Eu passei no inglês, mas no fim desperdicei a oportunidade. Hoje consigo perceber como fui imatura. Não consegui mais nenhuma entrevista como Agente de Aeroporto desde então, nem na própria Wapiya 6 meses depois (quando pode repetir o processo seletivo). Nesse momento comecei a perceber como a coisa toda é difícil.

Graças ao meu cadastro no Catho, recebi o convite para o processo seletivo de uma empresa chamada Sitel. A vaga era para "Analista de Atendimento Trilíngue" da empresa Microsoft (que terceiriza o atendimento pela Sitel), salário 2 mil reais. Eu nunca tinha ganhado mais de mil na vida! Como falo mesmo inglês e espanhol (este último melhor que o primeiro), topei. E foi assim que eu tive contato pela primeira vez com uma empresa de contact center. Trabalhar com contact center (ou call center), sempre soa um pouco pejorativo. O cargo é subestimado, as pessoas odeiam telemarketing desde o útero da mãe apesar de muitas vezes (e admito que depois de muita espera) resolverem seus problemas sem você precisar sair de casa. O salário era bom, eu fui, não passei na entrevista em inglês dessa vez, fui menos babaca nas minhas respostas depois de pesquisar comportamentos em entrevistas (só não soube explicar meus hobbies, como ia saber que me perguntariam isso!), mas fiquei com boa impressão da empresa. Foi então que tive a ideia de atingir o cargo de Agente de Aeroporto começando como teleoperadora da empresa aérea que eu conseguisse entrar. Nas minhas entrevistas sempre me foi explicado sobre a seleção interna para cargos com melhores salários depois de 6 meses. Era isso que eu ia fazer!

Apesar de me inscrever nas vagas para teleoperadora de companhias aéreas no site Elancers, foi o currículo que eu enviei pelo Catho para a Avianca que deu resultado. Nessa altura do campeonato eu já não queria ser mais professora, me perguntava porque não tinha feito Administração / Turismo / Hotelaria (ainda pensei duas vezes em fazer Hotelaria antes de pensar três e optar por Letras), pois tinham outras vagas para essas graduações e o currículo de quem era dessas áreas chamava mil vezes mais atenção. Eu achava que Letras poderia casar com muita coisa, mas estava enganada. Moro em São Paulo e aqui as pessoas gostam de tudo no seu devido lugar. Só se rolasse um QI, mas eu não conhecia ninguém da área.

Antes de fazer a entrevista para teleoperadora da Avianca, já tinha decidido fazer uma pós-graduação em Hotelaria. Como nem experiência em atendimento eu tinha para me ajudar a mudar de área, isso me vincularia à área ao menos. E pagar toda uma graduação de novo, dedicar tempo todos os dias, jogar fora o dinheiro da faculdade de Letras, eu não queria. Pós são poucos dias e eleva seu nível de formação, claro. O problema até hoje, que me dificulta conseguir emprego, é o horário das aulas: dois dias na semana, a partir das 19h15. A Avianca queria gente para horários que ultrapassavam isso. Mas nem foi isso que me desclassificou, se precisasse optar eu optaria pela Avianca e iniciaria a pós no semestre seguinte, depois de esperançosamente trocar de horário para matutino (sempre me visualizo conseguindo e faço logo planos). O que me desclassificou foi a falta de experiência mesmo. No dia da entrevista tinha muita gente que já tinha trabalhado para outras companhias aéreas.

Muito frustrada e já não trabalhando mais porque tinha saído para procurar outra coisa (não passo necessidade porque minha mãe me ajuda), resolvi procurar emprego na minha área mesmo enquanto não começava a pós (que só começa em março). Tenho bom currículo, principalmente para professora de espanhol, fiz cursos no exterior, tenho diploma avançado do Instituto Cervantes... E por ser formada em Letras, algumas editoras aceitam gente desse curso para ser revisor de texto, etc. Pensa que consegui alguma entrevista? NADA! Comecei a ficar preocupada. Nem na minha área!!! Foi então que decidi procurar experiência (e trabalho) nessas empresas de contact center que contratam todos os dias gente até sem experiência. Ia ser uma escola. Eu ia ter o que fazer (pior coisa para um currículo é ficar meses parado), ganhar algum dinheiro, poder dizer que tinha experiência com atendimento ao público (o que te abre um leque de opções depois, mesmo que não tão bem pagas, mas para não morrer de fome)... E coisas que eu acho importante e que não tinha acontecido na minha vida ainda: carteira assinada e horário de trabalho. Se tivesse uniforme eu ia adorar. A minha surpresa era justamente quanto ao horário de trabalho mais comum... Mas isso fica para um próximo post junto com as minhas entrevistas para entrar nesse mundo do telemarketing! Como dá para notar, foi um pouco falta de opção.

Nenhum comentário:

Postar um comentário